Este espaço foi construído, antes de mais, para os meus alunos de filosofia. Procura responder às necessidades muito particulares dos jovens com quem trabalho e dos meus planos de aula com esses jovens. Não tem subjacente qualquer outra ambição filosófica que ultrapasse este, assumidamente, modesto objetivo pedagógico: reunir recursos para apoiar as aulas da disciplina que leciono. Todas as visitas, sugestões e críticas serão, apesar do que fica dito, bem-vindas, venham elas dos meus alunos ou não. |
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Hipátia de Alexandria
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Uma vida não examinada não merece ser vivida
Sócrates disse, celebremente, que uma vida sem reflexão não merece ser vivida. Queria ele dizer que uma vida vivida sem ponderação nem princípio é tão vulnerável ao acaso e tão dependente das escolhas e ações de terceiros que pouco valor real tem para a pessoa que a vive. Queria ainda dizer que uma vida bem vivida é aquela que possui objetivos e integridade, que é escolhida e orientada pelo que a vive, tanto quanto é possível a um agente humano enredado nas teias da sociedade e da História (...) Uma pessoa que não pense na vida é como um forasteiro sem mapa numa terra estrangeira: para alguém assim, perdido e desorientado, um desvio no caminho é tão bom como qualquer outro e, se o rumo tomado conduzir a um local que vale a pena, terá sido meramente por acaso. A. C. GRAYLING, O Significado das Coisas, Gradiva, Lisboa, 2003 |
FIG. 1 - A Morte de Sócrates de Jacques-Louis David, 1787 |
Quem foram os primeiros filósofos?
OS MAIS ANTIGOS filósofos ocidentais eram gregos: filósofos que falavam dialetos da língua grega e que estavam familiarizados com os poemas gregos de Homero e de Hesíodo, tendo sido ensinados a prestar culto a deuses gregos como Zeus, Apolo e Afrodite. Estes filósofos não viviam no continente grego, mas em centros afastados de cultura grega, nas costas do Sul de Itália ou na costa ocidental do que é hoje a Turquia, e floresceram no século VI a.C. (...). Estes primeiros filósofos foram também os primeiros cientistas, e muitos foram também líderes religiosos. A princípio, a distinção entre ciência, religião e filosofia não era tão clara como viria a tornar-se em séculos posteriores. No século VI, na Ásia Menor, os devotos religiosos, os discípulos da filosofia e os herdeiros da ciência viriam todos a poder olhar retrospetivamente para estes pensadores como seus antecessores. Anthony KENNY, História Concisa da Filosofia Ocidenta, Lisboa, Temas e Debates, 2003 |
FIG. 2 - Mapa da Antiga Grécia |
O que é a filosofia?
A filosofia é uma atividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A atividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. A palavra «filosofia» é muitas vezes usada num sentido muito mais lato do que este, para referir uma perspetiva geral da vida ou para referir algumas formas de misticismo. Não irei usar a palavra neste sentido lato: o meu objetivo é lançar alguma luz sobre algumas das áreas centrais de discussão da tradição que começou com os gregos antigos e que tem prosperado no século XX, sobretudo na Europa e na América.
Thomas NAGEL, Que Quer Dizer Tudo Isto? Uma Iniciação à Filosofia, Lisboa, Gradiva, 1995 |
Como aprendemos filosofia?
Como aprendemos filosofia? Uma pergunta melhor é a seguinte: como podemos adquirir destreza no pensamento? O pensamento em questão implica ter atenção a estruturas básicas do pensamento. Isto pode ser bem ou mal feito, de forma inteligente ou inepta. Mas ser capaz de o fazer bem não é, em primeiro lugar, adquirir um corpo de conhecimentos. É mais como saber tocar piano. É tanto um «saber fazer» quanto um «saber que». A personagem filosófica mais famosa do mundo clássico, o Sócrates dos diálogos de Platão, não tinha orgulho na quantidade de coisas que sabia. Pelo contrário, tinha orgulho em ser o único a saber quão pouco sabia (uma vez mais, a reflexão). O que ele fazia bem – em princípio, pois a avaliação do seu sucesso varia – era expor os pontos fracos das pretensões das outras pessoas ao conhecimento. Processar bem os pensamentos é uma questão de ser capaz de evitar confusões, detetar ambiguidades, pensar numa coisa de cada vez, apresentar argumentos de confiança, ter consciência das alternativas, etc. Resumindo: as nossas ideias e conceitos podem ser comparados com lentes através das quais vemos o mundo. Em filosofia, são as próprias lentes que constituem o tema de estudo. Seremos bem ou mal sucedidos não em função da quantidade de coisas que sabemos no fim do estudo, mas em função do que podemos fazer quando as coisas se tornam difíceis, quando a maré dos argumentos sobe e se gera a confusão. Ser bem-sucedido quer dizer levar a sério o que as ideias implicam.
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FIG. 3 - O Homem Caminhando de Giacometti, 1961 |




